365 dias sem ti

" O amor não se procura, encontra-se. Não se ensina aprende-se."

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Tem sido dias muito difíceis, dias em que a vontade de ficar na cama é muito maior que a vontade de sair e enfrentar o mundo, mas nos saimos da cama todos os dias e mesmo custe nos sorrimos e dizemos vezes e vezes sem conta " está tudo bem", quando na realidade não está, o mundo desabou sobre o nossos pés e nós ainda não nos conseguimos realojar depois de tudo, caminhos a passinhos pequeninos porque a dor insiste em não desaparecer e não nos deixa avançar mais depressa.
Sabes sempre pensei que quando tudo acabasse tudo passava, mas não, tu não estas mais aqui, mesmo doente eu sabia que estavas ali, pronta para me ouvir, pronta para me ouvir gritar contra o mundo, eu sei que o meu refugio estava ali mesmo que não fosse a cem porcento, eu sabia que estavas ali.
Mas agora tu não estas mais aqui avó, e eu perdi-te para sempre.
Ainda hoje tudo me faz confusão, não me despedi de ti, partiste sem me dizer nada mas sei que até ao teu ultimo sopro perguntaste por mim.
Não te culpo por não ter tido o melhor dia de anos, sei que não tiveste culpa, mas dói muito lembrar-me do dia em fiz 18 anos.
Sei que querias ver-me casar, ter filhos, ver-me triunfar na vida, mas viste-me chegar aos 18 anos e já foi muito bem, vivemos estes 18 anos da melhor maneira, fizemos tudo aquilo que queriamos, não deixamos nada por fazer.
Hoje as lágrimas voltaram a cair e  a saudade invadiu-me o coração, tenho tantas saudades tuas.
Não consigo mais escrever para ti, não te preocupes que eu vou cumprir todas as promessas.
Estejas onde estiveres minha grande guerreira espero que estejas a olhar por todas nós avó.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Hoje perdemos a luta para sempre, hoje foi o fim, acabou tudo, acabaram-se os hospitais, acabaram-se as dores, acabou para sempre.
Não me deixaste despedir-me de ti, nem sequer me disseste que estava na hora de partires, e isso parte-me o coração, porque tu sabias o quanto eu te amava e o quanto eu me queria despedir de ti.
Neste momento tudo parece tão confuso, tão distante, tão diferente, mas a confusão vai passar, a dor vai desaparecer e vai ficar tudo bem como tu querias que ficasse.
Sei que não querias que ninguém sofresse, mas é inevitável.
Eras a pessoa que eu mais amava neste mundo, metade do que sou hoje agradeço-te a ti, agradeço-te tudo, tudo o que fizeste, os impossiveis e os possiveis para me ver feliz, obrigada por tudo.
Sei que nunca mais vou voltar a ver os teus olhos azuis nem nunca mais te vou ouvir perguntar pela minha Adrianita, hoje sei que nunca mais vou receber o ramo de flores que devia ter recebido no dia em que fiz 18 anos, hoje tudo mudou e tudo ficou melhor acho eu, hoje tu partiste e eu ganhei uma estrelinha no céu que há-de brilhar e proteger-nos sempre.
Não sei como lidar, não sei como dizer as pessoas nem sei como reagir, foi tudo tão de repente.
Esta doença malvada levou tudo o que podia levar, levou-te a força, o sorriso, o cabelo e por fim levou-te a vida, mas não nos vai levar a nenhum de nós.
Não te preocupes que eu vou proteger as minhas irmãs como tu querias que fizesse, não te preocupes com nada, vai ficar tudo bem.
Acho que fiz tudo o que podia ter feito, se não fiz mais foi porque não consegui.
Foste sempre uma grande mulher, até ao fim dos teus dias, ao teu ultimo sopro.
Sei que foste para um sitio melhor, onde já nada te incomoda.
Agora acabou tudo, não é um até nunca é um até  já, amo-te e amar-te-ei sempre.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Tudo nesta casa me sufoca, não sei se é pelo facto de tu estares num sitio que não é melhor, se é por não saber o que vai acontecer,  sinceramente não sei o que está para vir,  e não sei se estou preparada.
O medo, a dor, tem sido os meus mártires, ontem custou-me prender as lagrimas, porque ontem eu sabia que podia ser o ultimo, e se realmente foi o ultimo, desculpa por não te ter dito que tens sido a melhor, que aguentaste tudo e todos e que lutas todos os dias, que és uma mulher de garra e que eu tenho tanto mas tanto orgulho em ti, desculpa não te ter abraçado, desculpa por ser fraca, desculpa por tudo.
Mas eu sinto-me tão pequenina quando tenho que lidar com isto tudo, tudo isto é um grande pesadelo do qual eu queria acordar, mas na realidade não é pesadelo nenhum, é bem real e eu tenho que lidar com isto, por mais que me custe.
Não era esta a lembrança que eu queria ter de ti, não era assim que eu te queria ver, eu queria ver-te sempre como sempre vi, contente e forte, eu queria que fosses sempre a pessoa que me ia buscar a escola e me abraçava quando tinha medo, oh avó queria tanto que o cancro não te levasse a vida.
Ontem quando te despediste, disseste-me adeus tantas vezes, parecia que adivinhavas que hoje não te conseguias levantar da cama sozinha e que hoje ias de novo para o hospital, acredito que saibas disto tudo, e acredito que custe muito.
A verdade é que eu tenho medo, tanto medo, medo de não saber lidar com isto, medo de não conseguir proteger as minhas irmãs,só queria voltar a ser pequenina e aninhar-me nos teus braços.
Só um milagre te podia salvar e sei bem que milagres não acontecem.
Prometo que vou estar aqui, até ao ultimo sopro, ao ultimo bater do teu coração, se quiseres partir está tudo bem, nós aguentamos, não te preocupes avó, nós vamos ficar todos bem.
Não tenhas medo, acredita que vais para um mundo melhor.
Prometo que vou ficar bem, que vai ficar tudo bem.