Mais uma vez sentimos a revolta, a revolta de ver novos tratamentos a funcionar,e tentar entender o porquê desses tratamentos só apareceram agora, não pedia mais do que dois anos, era só o que pedia,dois anos aqui já era suficiente, era o tempo suficiente para realizar alguns sonhos, o tempo suficiente para nos despedirmos.
A verdade é que mesmo que tivessemos mais dois anos nunca nos iriamos despedir, nunca iriamos por fazer tudo o que havia para fazer.
Hoje dei por mim estacionada a porta da tua casa, a vaguear por entre o teu jardim, é triste ver tudo aquilo que fazia parte de nós, aquilo que construimos verão após verão estar assim, destruido e sem conserto, desculpa avó por não ter conseguido manter vivo aquilo que tanto te orgulhavas, a nossa obra, o nosso cantinho, o meu refugio, o sitio onde achei que ia encontrar paz para conseguir esquecer que tinhas partido.
Desculpa por não ser forte o suficiente, por passados quase dois anos, ainda chorar e não entender o porque de me teres deixado, hoje enrolei-me num dos teus casacos que ficou perdido aqui por casa na esperança de me sentir protegida, como se tivesse nos teus braços, mas não aconteceu, não senti nada avó, nem o teu cheiro nem me senti protegida. Tenho tantas saudades tuas, tantas que nem tenho como explicar, queria tanto mas tanto que aqui estivesses, que me visses a entrar na universidade, que me visses a trajar pela primeira vez.
Lembraste avó, prometi-te que quando tirasse a carta que te levava a passar, não aguentaste até esse dia, prometi também que iamos festejar os meus 18 anos em grande, prometeste-me um ramo com 18 rosas, ficaram tantas promessas por cumprir.
Tanto por dizer e tanto por fazer, tenho medo que com o tempo me vá esquecendo de ti, e tenho pena, muita pena, que as minhas irmãs não tenham tido a oportunidade de conhecer a mulher incrivel que tu eras, sei que apesar de tudo receberam todo o amor que tinhas para dar e que era graças a elas que aguentavas mais um dia, travavas mais uma batalha.
Desculpa por tudo e por nada, prometo mais uma vez ser forte.
365 dias sem ti
" O amor não se procura, encontra-se. Não se ensina aprende-se."
segunda-feira, 23 de março de 2015
domingo, 21 de setembro de 2014
E hoje passado mais do que um ano, nós damos por nós a seguir com a vida para a frente, agora sem medo do dia de amanhã, porque o amanhã já não é tão desconhecido, pensar no futuro já não dói, mas apesar de seguirmos em frente não esquecemos a luta do passado.
Hoje se me perguntarem do que mais tenho saudades, tenho saudades de tudo, o que vivemos e o que não vivemos, mas principalmente tenho muita revolta acumulada por não termos vivido o que era suposto, por ter deixado tanto por dizer, ficou tanto, mas tanto por fazer e dizer, mas a vida é mesmo assim.
Ontem dei por mim no sitio onde tudo acabou, no quarto frio e gelado que continua intacto, como se esperasse pelo teu regresso, a cama continua desfeita como foi deixada, continua tudo igual, ninguém teve coragem de tocar em nada, porque na realidade ninguém acredita no desfecho disto tudo.
Durante este ano aconteceram tantas coisas, coisas essas que sempre pensei que irias celebrar comigo, e em todos esses grandes momentos não deixei de pensar em ti minha grande guerreira,mas agora sempre que a saudade bate a porta não há muito a fazer, não há nada a fazer, uma vela e um ramo de flores são o que damos em troca para que a saudade vá embora.
Um ano depois ainda existem muitas perguntas por responder, muita dor dentro de nós,o tempo é o nosso pior o inimigo, o tempo faz aquilo que ninguém esperava, apazigua a dor, mas não faz com que deixe de doer, há dias em que dói mais outros que já nem dói, mas esta ferida tende em não cicatrizar, há sempre algo que nos leva para o dia em que perdemos a luta, há sempre algo que não nos deixa esquecer.
Hoje quando dei por mim a descer as escadas da igreja olhei para trás e senti tanto orgulho avó, ver as tuas amigas todas a reconfortarem-nos, passado um ano elas não se esqueceram de ti, nem de nós e isso é um orgulho para mim, saber que mesmo quando o tempo te escasseava por entre os dedos tu pediste-lhes para nos continuarem a apoiar mesmo depois de tu partires.
Passe o tempo que passar nunca me hei-de esquecer de ti, até sempre.
Hoje se me perguntarem do que mais tenho saudades, tenho saudades de tudo, o que vivemos e o que não vivemos, mas principalmente tenho muita revolta acumulada por não termos vivido o que era suposto, por ter deixado tanto por dizer, ficou tanto, mas tanto por fazer e dizer, mas a vida é mesmo assim.
Ontem dei por mim no sitio onde tudo acabou, no quarto frio e gelado que continua intacto, como se esperasse pelo teu regresso, a cama continua desfeita como foi deixada, continua tudo igual, ninguém teve coragem de tocar em nada, porque na realidade ninguém acredita no desfecho disto tudo.
Durante este ano aconteceram tantas coisas, coisas essas que sempre pensei que irias celebrar comigo, e em todos esses grandes momentos não deixei de pensar em ti minha grande guerreira,mas agora sempre que a saudade bate a porta não há muito a fazer, não há nada a fazer, uma vela e um ramo de flores são o que damos em troca para que a saudade vá embora.
Um ano depois ainda existem muitas perguntas por responder, muita dor dentro de nós,o tempo é o nosso pior o inimigo, o tempo faz aquilo que ninguém esperava, apazigua a dor, mas não faz com que deixe de doer, há dias em que dói mais outros que já nem dói, mas esta ferida tende em não cicatrizar, há sempre algo que nos leva para o dia em que perdemos a luta, há sempre algo que não nos deixa esquecer.
Hoje quando dei por mim a descer as escadas da igreja olhei para trás e senti tanto orgulho avó, ver as tuas amigas todas a reconfortarem-nos, passado um ano elas não se esqueceram de ti, nem de nós e isso é um orgulho para mim, saber que mesmo quando o tempo te escasseava por entre os dedos tu pediste-lhes para nos continuarem a apoiar mesmo depois de tu partires.
Passe o tempo que passar nunca me hei-de esquecer de ti, até sempre.
terça-feira, 22 de julho de 2014
Afinal o tempo não cura tudo, o tempo só faz pior, o tempo só fez com que a saudade aumentasse e que a confusão aumentasse, o tempo é uma treta.
Isto é tudo uma treta, não te ter aqui é uma treta, saber que nunca mais vou falar contigo, ou te vou ver é uma treta.
Quase que fui obrigada a não chorar e a não sentir a dor da morte de um familiar, a dor que inunda o coração que insiste em doer, dia após dia, e a dor que não passa e insiste em não desaparecer, a dor que nos lembra que morreste, que não estas mais aqui.
Desculpa, queria ser forte e não chorar e reagir e saber o que fazer, mas não sei, limito-me a fingir que está tudo bem, que estamos a ultrapassar isto da melhor maneira, mas é tudo mentira, continuamos a ignorar passar pela tua casa,ignoramos tudo para não sofrermos.
Quando alguém que não nos pertence morre, sabemos perfeitamente o que fazer, enviar flores, ir ao funeral, apoiar as pessoas, mas quando é alguém nosso a morrer nunca sabemos o que fazer, é tudo novo, e ficamos ali estáticos e em pânico sem saber o que fazer, temos que nos fazer de forte porque não nos podemos ir abaixo, temos que ouvir todas aquelas historias em que contam o que faziam e como essa pessoa era feliz, e isso magoa e ninguém tem noção.
Sabes avó tem sido tudo difícil sem estares aqui, as minhas irmãs já sabem que a avó afinal não foi fazer uma viagem, sabem que a avó morreu e isso parte-me o coração, tão pequenas e saberem que a avó morreu e dizerem que tem saudades dela, como se explica a uma criança que nunca mais vai ver aquela pessoa, não se explica.
Prometo ser forte, nunca me esqueço de ti.
Isto é tudo uma treta, não te ter aqui é uma treta, saber que nunca mais vou falar contigo, ou te vou ver é uma treta.
Quase que fui obrigada a não chorar e a não sentir a dor da morte de um familiar, a dor que inunda o coração que insiste em doer, dia após dia, e a dor que não passa e insiste em não desaparecer, a dor que nos lembra que morreste, que não estas mais aqui.
Desculpa, queria ser forte e não chorar e reagir e saber o que fazer, mas não sei, limito-me a fingir que está tudo bem, que estamos a ultrapassar isto da melhor maneira, mas é tudo mentira, continuamos a ignorar passar pela tua casa,ignoramos tudo para não sofrermos.
Quando alguém que não nos pertence morre, sabemos perfeitamente o que fazer, enviar flores, ir ao funeral, apoiar as pessoas, mas quando é alguém nosso a morrer nunca sabemos o que fazer, é tudo novo, e ficamos ali estáticos e em pânico sem saber o que fazer, temos que nos fazer de forte porque não nos podemos ir abaixo, temos que ouvir todas aquelas historias em que contam o que faziam e como essa pessoa era feliz, e isso magoa e ninguém tem noção.
Sabes avó tem sido tudo difícil sem estares aqui, as minhas irmãs já sabem que a avó afinal não foi fazer uma viagem, sabem que a avó morreu e isso parte-me o coração, tão pequenas e saberem que a avó morreu e dizerem que tem saudades dela, como se explica a uma criança que nunca mais vai ver aquela pessoa, não se explica.
Prometo ser forte, nunca me esqueço de ti.
Subscrever:
Mensagens (Atom)